Tomar o risco do fracasso?


Me deparei com o texto acima em uma das pesquisas que fiz no Google sobre valores, em alguns sites as palavras são atribuídas a Cora Coralina e encontrei algumas referências dizendo que ela não é a verdadeira autora, pelo benefício da dúvida prefiro manter o autor desconhecido.

Logo após li um artigo escrito pelo fundador da escola de idiomas Wise up, onde ele relata que os filhos não entendem o motivo pelo qual as pessoas gastam horas e horas no trânsito, para se locomover até um trabalho de 10 horas por dia que é mal remunerado, a priori ele havia dado uma aula sobre mercado digital e os filhos já tinham vislumbrado opções melhores do que ter um trabalho formal. O artigo pode ser lido nesse link: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2790

Nos últimos meses tenho questionado bastante os valores que são mais importantes para minha vida, por esse motivo citei os dois textos acima, um que trata da importância de tomar uma decisão e outro que fala da possibilidade de se manter financeiramente fora dos padrões tradicionais de funcionário.

Meus filhos estão crescendo, e eu não tenho me dedicado da maneira que eu gostaria para estar mais presente e compartilhar bons momentos com eles.
Eu estou envelhecendo, e mais rápido do que eu gostaria, acho que eu deveria estar melhor para a idade que eu tenho.
Tenho cuidado muito pouco da minha saúde e forma física. 
Enfim tenho notado que o preço do meu trabalho de 14~15 horas por dia, das viagens para atender clientes distantes geograficamente, tem sido muito alto em outras frentes da vida.

Essa sensação de desconforto, de que eu poderia estar fazendo mais pelos meus valores mais importantes vem me incomodando no último ano. Não quero passar a imagem de bom samaritano não, um dos meus valores é ganhar dinheiro sim, mas hoje ele não é mais importante do que estar próximo dos meus filhos.

A grande questão é que a mudança é complexa, para eu sair do meu emprego e me aventurar em alguma outra atividade para tentar ganhar a vida preciso ir contra dois valores muito fortes, que são:
  • A imagem de ter uma carreira bem sucedida, como funcionário, diante da minha família.
  • E de ser alguém que errou muito pouco durante a carreira profissional.

Me aventurar em novas atividades pode colocar esses dois valores abaixo e essa é uma decisão muito complexa, tenho me questionado todos os dias se deveria tomar o risco, ou deveria me manter no meu emprego por mais algum tempo, até que o lance dos imóveis comece a ter tração.

É engraçado quando as coisas não vão bem na nossa vida, parece que nos falta energia para muitas coisas. Eu me lembro que a cerca de 1,5 anos atrás eu comecei um empreendimento próprio, um piloto, que consumia muito tempo, mesmo assim eu conseguia acordar cedo e ir me exercitar e nos finais de semana tinha energia de sobra para curtir o final de semana com a família e ainda trabalhar mais um pouquinho. Na prática durante esse empreendimento eu tinha menos tempo do que tenho hoje, mas conseguia fazer muitas coisas adicionais.

Eu nunca tive dúvida, sempre tratei minha profissão como um meio de obter dinheiro, sempre tolerei tudo que me incomoda no que eu faço, pois acredito que o contra cheque do final do mês é valioso e compensa as desventuras. 

Mas agora estou bem inclinado a tomar o grande risco de me aventurar por novos caminhos, mesmo sem saber qual é o caminho que eu gostaria de seguir.

O post retrata o momento de indecisão que estou passando, acho que ficou bem confuso, e o intuito foi sair da inercia, já que eu não sei o que fazer (escrever), me movimentei para ver se o movimento traz alguma inspiração.
Talvez essa seja a ação que eu tenha que tomar, decidir me movimentar em vez de ficar parado no lugar onde eu não gosto, o pior cenário é que eu me movimente para um lugar ainda pior, mas esse é o risco que preciso correr para ter a chance de encontrar um lugar melhor e mais condizente com os meus valores. 
Tomar o risco do fracasso? Tomar o risco do fracasso? Reviewed by Surfista Calhorda on 12:21 AM Rating: 5

32 comentários:

  1. Com todo o respeito surfista, se aventurar com o patrimônio atual e possuindo família para dar conforto é um risco alto!

    Imagino como é difícil e angustiante o momento que vem passando, sofro do mesmo mal de ser assalariado com metas a cumprir.

    Caso decida pela liberdade planeje muito bem e se possível tenha algum negócio em andamento já frutificando.

    forte abs!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Anom muito obrigado pelo comentário, e de verdade um comentário excelente pois é o cerne de toda a minha indecisão, qualquer pessoa que avalie minha situação de fora, não vai entender como eu posso estar desanimado, mas o nosso cérebro é muito complicado... Eu já avalio de maneira muito direta tentar ajuda de um profissional da mente.

      Excluir
    2. Salve Surfista, fui eu que realizei o comentário acima estava em um PC que não conseguia logar na minha conta e não me contive pois conheço bem do assunto.

      Rapaz depois da resposta dada noto que a situação deve estar bem CRÍTICA. O peso da responsabilidade e frustração por não conseguir ficar perto da família estão te causando uma pressão esmagadora.

      Me procure no grupo do telegram da Finansfera do Lawyer investidor quem sabe podemos conversar para trocarmos algumas ideias.

      Forte abraço!

      Excluir
    3. Galo_Magrelo não está tão crítica assim não, acho que o fato de considerar a ajuda de um profissional da mente pode ter passado essa impressão. Aqui o grande ponto é que eu não quero deixar que isso fique crítico. Valeu mesmo pela preocupação.

      Excluir
  2. Olá Surfista,

    Uma coisa que não podemos é nos acomodar. Eu todo os dias faço planos para ganhar mais dinheiro, mas não fiz nada para que isso seja executado.

    Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cowboy eu estou bem acomodado viu, por mais que minha carga de trabalho esteja muito acima do que eu gostaria, é um 'diabo' conhecido, eu sei muito bem como lidar com ele e geralmente não tenho surpresas. O lance de me aventurar, sem sombra de dúvidas vai me trazer alguns fracassos iniciais e vou ter outros tipos de problemas para resolver até voltar a alcançar algum sucesso... Como nossa cabeça é confusa, dizendo isso, fica tão claro que estou querendo trocar o certo pelo duvidoso e mesmo assim não consigo me demover da ideia de experimentar novos desafios.

      Excluir
  3. Olá Surfista,

    Belo e denso post. Difícil comentar sobre ele. Enfim, desejo boa sorte e que esse momento passe logo.

    Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Investidor Inglês, nossa cabeça prega várias peças na gente. Conversei sobre o tema com o meu Pai, ele foi taxativo, disse que eu estava maluco de trocar o certo pelo duvidoso... Se eu levar em conta apenas aspectos racionais e o que eu definitivamente tenho na mão como certo, não faz nenhum sentido eu ter esses impulsos de me aventurar com novos diabos para ganhar a vida.

      Excluir
  4. Gostei do parágrafo onde vc diz que quando as coisas não vão bem na nossa vida, parece que nos falta energia para muitas coisas... acho que esse é o grande objetivo da busca pela IF, muitos acham que queremos largar tudo para fazermos nada quando na verdade só queremos poder nos dedicar às atividades (ou trabalhos) que nos fazem bem ao invés das que drenam as nossas energias. Eu hoje não tenho energia para absolutamente nada, mesmo quando não faço muita coisa, as vezes acho que é preguiça mas a energia simplesmente não aparece por mais que eu descanse.

    Boa sorte nas decisões!

    Sr. IF365

    Blog do Sr.IF365 | Acompanhe meus últimos 365 dias antes da IF e Aposentadoria Antecipada
    www.srif365.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sr. IF365 isso é algo muito real, todo o tempo do mundo não basta quando não temos motivação.

      Excluir
  5. é um assunto muito particular , mas eu também penso nisso todos os dias !!
    Quase sempre tenho novas ideias de negócios, porém ...nunca movo um dedo para colocar em funcionamento, é muito dificil !!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. ISN ter a coragem de agir e de tomar o risco do fracasso não é nada fácil, além do mais sabendo que as chances de fracasso são muito superiores e que será necessário colecionar alguns fracassos para conseguir lograr exito em algum empreendimento.. Fica ainda mais difícil decidir!
      Valeu pelo comentário.

      Excluir
  6. Bem, estou na mesma situação. Mas ainda engatinhando no novo projeto. Como vc já deve saber a chave esta no conhecimento, como diz o W. Buffet "O risco vem de não saber o que esta fazendo"
    Então segue dois videos que vc pode "calcular" os riscos das duas escolhas.
    https://www.youtube.com/watch?v=Ij0owwvJU-M
    https://www.youtube.com/watch?v=SdT2F1qX4Rc

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Marcus muito legais os vídeos, obrigado por compartilhar os links.
      Gostei do método para racionalizar a decisão. Estruturar as informações e ter uma visão mais claros dos pontos positivos e negativos é realmente de suma importância.
      Valeu pelo comentário.

      Excluir
  7. Fala Surfista!!!

    Mais uma indicação de material que pode te ajudar: www.queroassistir.com.br

    Valeu e boa sorte!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu Filipe. Obrigado por compartilhar o conteúdo.

      Excluir
  8. Surfista, vc está indo muito bem no financeiro.
    Filhos não precisam de dinheiro, presentes ou bens, precisam da presença do pai, ir numa sorveteria ou pizzaria uma vez por mês, ir pra praia com o pai, andar de mãos dadas, conversar no almoço e jantar (sem celular ou TV), tirar fotos, espalhar fotos em porta-retratos, fazer a lição de casa com vc ensinando, colocando pra dormir, dar sempre um abraço e um beijo antes de dormir, coisas simples mas que fazem a completa diferença. Faça um seguro de vida pra garantir o futuro deles e no mais tente ficar mais presente fazendo pequenas coisas.

    Tente melhorar a sua alimentação, dormir melhor, acordar cedo, fazer uma academia e passar mais tempo surfando que as coisas melhoras. Lhe desejo tudo de bom, um abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Frugal muito obrigado pelo comentário, eu tenho certeza de que suas palavras estão corretas, só preciso fazer um ajuste de rota para colocar os principais valores na frente. Vou promover uma mudança de direção, acho que já investi bastante do meu tempo para o dinheiro vou precisar me organizar para reequilibra a balança.
      Valeu mesmo pelo comentário.

      Excluir
  9. Rapaz, eu gostaria de lhe ajudar com alguma opinião sensata, mas não estou nem conseguindo dar andamento ao meu blog, hoje que comecei a responder os dos amigos da blogosfera. Espero em breve poder dar maiores contribuições. Boa sorte para nós na caminhada.

    ResponderExcluir
  10. Meu caro, você já aprendeu o mais importante: o valor de economizar, de entender que é necessário um padrão de vida sem consumismos exorbitantes e além disso pelo modo que escreve é um cara fora curva. Acredito que você seja jovem, então porque não começar a planejar um rota de fuga estilo "Plano do FGTS do Pobretão"?. As vezes vale a pena tentar ser um pouco dono do nosso próprio tempo. Status para família/parentes de bem sucedido? Fodasse! Vale muito mais ver sua pessoa feliz em conjunto com sua esposa e filhos. Infelizmente o tempo não rende juros, então é importante cuidar da sua saúde e mente. E se não der certo? Bom a frustração passa e o mercado de trabalho é generoso para os qualificados. Sucesso da decisão!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Anom, qual era o plano do FGTS do Pobretão? Ele tinha alguma meta financeira atrelada ao valor acumulado no FGTS?
      Realmente o tempo é um ativo que não tem como recuperar e nao tem como economizar, a gente só tem a escolha de tentar gastar o tempo da melhor maneira possível.

      Excluir
  11. Esse é o dilema da maioria dos funcionários bem sucedidos em uma empresa. Inconscientemente abrimos mão de valores muito importantes em função de uma "imagem" ou algo que os outros esperam. Quanto mais se ganha, mais a zona de conforto se solidifica.
    Hoje postei algo muito relacionado a isso. Estou no dilema de antecipar minha saída de uma empresa onde o ambiente está muito ruim ou esperar um possível pacote de desligamento. Ou seja, aguentar uma situação ruim por dinheiro. Se puder leia meu texto.
    Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu li seu post Samurai, situação bem chata no seu ambiente profissional.
      Já começa a procurar uma nova oportunidade, você vai ter tranquilidade para escolher a melhor oportunidade enquanto estiver empregado.

      Excluir
  12. É, caro Surfista, realmente é um momento bem delicado.
    Penso que talvez seja viável procurar não só um profissional da mente, mas também considerar algum tipo de mentoria/acompanhamento com algum empreendedor que você conheça, principalmente para saber as coisas que mais pesadas pelas quais você vai provavelmente passar.

    Entendo bem como é essa questão da sua imagem de bem sucedido, mas por dentro isso não significar tanto. Em verdade, é também por isso que voltei a estudar pra alcançar outra carreira. É certo que a que busco paga mais e também trabalha bastante, mas a minha atual, que é sonho de muita gente, já não me traz mas aquela tranquilidade de outros tempos. Por vezes, tem trazido mais frustrações que alegrias.
    Na ponta do lápis, o contra-cheque, no meu caso, nao pesa tanto assim (financeiramente), mas a segurança sim.

    Quanto a se arriscar, veja bem, tenho próximos a mim dois tipos conhecidos de empreendedores:
    1) mais clássico, que montou seu negócio, ganha um valor médio por mês (10k) e depois montou mais 2 outros pequenos negócios aproveitando a estrutura do principal (espaço físico, etc), de forma q esses outros rendem + 3k cada.

    Ele precisa se reinventar a cada 3-5 anos, então mudanças e incertezas serão constantes.
    Ele optou por não ter um negócio único de 15-18k pra diminuir o risco.
    E como vive com cerca de 7-8k/mês, deixou de buscar 25 - 30 k/mês porque o tempo que fez isso foi extremamente desgastante e ele nao quer viver com isso no longo prazo (já junto 600k de investimento, agora vai com mais calma).

    2)alguns investidores que abriram Mao de serem o "melhor funcionário"/"funcionário do mês" e fazem apenas o básico, mas tem um negócio paralelo, que não rende tanto, mas complementa a renda do salário.
    Eles não se dedicam mais que as 8h diárias em seu trabalho, para poderem fazer as outras coisas, com mais 2 - 4h dia e ganham uns 50 a 150% mais que o sério (sim, varia bastante).
    Geralmente tem algo correlacionado com o trabalho principal, por isso também que nao o largam.

    As vezes diminuir período e distâncias do trabalho podem trazer alguns ganhos, mas custam alguma coisa. Talvez esse custo possa ser reposto por um segundo negócio que não dependa de tantas horas.

    Abc

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Legal FPI os dois modelos são interessantes, mas na minha situação eu preciso ir no modelo 1, com dedicação total ao empreendedorismo. As viagens no meu emprego são uma constante, então imagina ficar 15 dias fora, acho que nao daria certo manter meu emprego e empreender em paralelo.

      Excluir
  13. É surfista as vezes na vida ficamos assim mesmo "boiando", sem saber ao certo se vale arriscar ir contra a correnteza das nossas incertezas.

    Enfim, o parágrafo acima é uma alusão ao surf pra deixar o assunto mais leve. Isso que você está passando vejo como algo muito comum.
    Eu mesmo já pensei em ideias para empreender e deixar de conviver com politicagens e papos furados no trabalho que exerço. Mas por outro lado a vida de empreendedor também costuma ocupar bastante e pra quem quer mais tempo livre pode não ser a melhor opção.
    Empreender é mais uma questão de não ficar subordinado ou atrelado aos outros e ter um pouco de autonomia.
    Pelo jeito você ainda viaja muito a trabalho. Nesse caso empreender por ser um boa saída, um negócio fixo evitaria essas viagens. A maioria das pessoas que ganham pouco continuam em seus empregos porque a regra no mercado de trabalho brasileiro é ganhar pouco essa que é a verdade, então a pessoa não vem muitos horizontes e isso aliado a zona de conforto acaba por minar qualquer aspiração de mudança.
    Essa rotina de trabalho é justamente uma das coisas que faz com que a pessoa não mude, se a pessoa não tem sequer tempo pra si mesmo, como vai ter tempo pra fazer um planejamento realista sobre um negócio ou mesmo pra fazer uma análise detalhada da própria vida?

    O certo é que é fundamental ter dinheiro, um bom patrimônio é importante pra ser menos dependente disso tudo. Mas paradoxalmente mesmo pessoas com bom patrimônio continuam a se submeter a essas rotinas que não as agradam e nem ao menos sabem explicar com clareza o porque fazem isso.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Desafiar a zona de conforto é realmente difícil, por mais que estejamos boiando no final do mês o salário cai e se desvincular desse conforto é muito difícil.
      Como decote não vou fazer nenhum movimento brusco, estou tentando ajustar algumas coisas, para ver se melhoro meu dia a dia e se essas pequenas ações não surtirem efeito, então no médio prazo vou promover alguma mudança.

      Excluir
  14. Na vida devemos fazer escolhas, cada um sabe de seus objetivos e metas muito esclarecedor seus argumentos obrigada.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. No fim nós precisamos decidir e tomar algum nível de risco. Como de costume eu não vou fazer nenhum movimento brusco, vou tomar algumas ações pequenas e caso não tenha melhoras vou promover a mudança no médio prazo

      Excluir
  15. Surfista, dá uma lida no livro "A vida que vale à pena ser vivida" de Clóvis Barros. É um compilado de filosofia, não irá te dar a resposta do que te angustia, mas acredito que será útil apra você repensar algumas coisas.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Valeu Lucas, já vi vários vídeos dele, vou procurar o livro. Obrigado pela dica.

      Excluir

“Em tempos de embustes universais, dizer a verdade se torna um ato revolucionário.”
George Orwell

Tecnologia do Blogger.